Hoje ao ler o jornal OJE deparei com uma coluna escrita por Sofia Santos, sócia fundadora da Sustentare, titulada de "O que nos traz felicidade?". Remeteu-me imediatamente para um artigo que escrevi neste blog no passado dia 18 de Janeiro em que abordei o tema dinheiro vs. felicidade. Aproveito para partilhar o conteúdo do artigo de Sofia Santos:
"O conceito de crescimento económico está associado à ideia de que "mais é melhor": ter dois carros é melhor do que ter um; ter vários pares de sapatos é melhor do que ter os essenciais; ter vários telemóveis traz-me mais felicidade do que ter apenas um tipo de teclado. Será?
Este conceito de crescimento tem ignorado por completo a capacidade do planeta em regenerar os recursos naturais necessários a essa produção e a sua capacidade em "lidar" com os resíduos deixados quer pelas empresas, quer pelos consumidores, após a utilização final do bem.
Numa sociedade ocidental e com os elevados padrões de consumo que têm vindo a ser enraizados ao longo das últimas duas gerações, não faz sentido defender uma teoria económica em que se abandone o consumo. Até porque, referindo Keynes que anda tão em voga, o consumo constitui um estímulo à economia e, indirectamente à criação de emprego. Logo, em momentos de crise, não se pode pedir que deixemos de consumir por razões ambientais! Devemos antes consumir de maneira diferente e informar que o consumo pode ter consequências éticas, ambientais e sociais.
As empresas devem também ser genuínas nas suas práticas de sustentabilidade, ao disponibilizarem ao mercado produtos cuja cadeia de valor tenha respeitado os direitos do trabalhador, garantido condições de Higiene e Segurança, pago o valor justo do trabalho, utilizado energias renováveis, ou equipamentos com menor consumo, colocado os resíduos nos aterros específicos - ou, ainda melhor, que tenha conseguido valorizá-los -, ou tenha garantido a não existência de trabalho infantil, entre muitos outros requisitos que todos nós compreendemos.
Mas esquecendo todos estes jargões da inovação, sustentabilidade, criatividade e afins, vale a pena cada um de nós pensar se, de facto, consumir mais nos traz felicidade.
Se eu comprar mais uma T-Shirt cuja probabilidade de ter sido feita por uma criança que não vai à escola for elevada, na China ou em Portugal, ficarei bem com a minha consciência? Se tiver de optar entre um pacote de café de uma empresa que nada me diz em relação à forma como os agricultores foram tratados, e outra que me informa que o agricultor recebeu o valor justo do seu trabalho, não deverei eu, como cidadão, contribuir para uma ética global? O mito de que estes bens têm preços mais elevados pode ser mitigado por uma política fiscal que discrimine positivamente estes bens.
Os hábitos de consumo constituem ainda hoje (à semelhança dos anos 70) o principal obstáculo ao desenvolvimento sustentável. Em tempo de crise, aqueles que podem, têm o dever acrescido em dar o exemplo. A chamada elite tem o dever acrescido de praticar o seu dever de cidadania."
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Frontalidade
Por vezes dou comigo a pensar na frontalidade; aliás, na falta desta. Porque será que as pessoas são tão pouco frontais, seja nas suas atitudes, seja nas suas respostas?
Essa falta de frontalidade leva a inúmeras perdas de tempo, a gastos escusados, a expectativas goradas, enfim, a um conjunto de situações perfeitamente evitaveis se os intervenientes agissem sempre com a frontalidade devida em cada situação.
Senão vejamos, imaginem-se na pele de um vendedor, de um empregado de restaurante, de um promotor, de um voluntário que se encontra a promover uma campanha de solidariedade... quantas vezes já não disseram ao vendedor que gostaram do produto sem realmente terem gostado, ao empregado de restaurante que a refeição estava boa mesmo que não vos tenha satisfeito, ao promotor que já têm aquele cartão que ele vos quer "impingir" só para não terem que dispensar uns minutos do vosso tempo, ao voluntário que estão com pressa só para terem uma desculpa para o facto de não quererem contribuir.
Será que se dissessemos ao vendedor que não tinham gostado do produto não seria preferivel e não evitaríamos alguns incómodos telefonemas na tentativa deste perceber o porquê de termos gostado mas não termos comprado? Ou por sua vez se tivessemos dito ao empregado do restaurante que a refeição não estava grande coisa na próxima vez o serviço não estaria melhor? Quanto ao promotor não poderiamos dizer educadamente que não pretendemos subscrever aquele cartão? E ao voluntário não seria mais correcto dizer que não pretendemos contribuir para aquela causa em vez de lhe estarmos a dar falsas espectativas acerca da nossa próxima passagem?
Por estas e outras razões é minha convicção que devemos ser frontais, é a melhor atitude para sermos justos e mostrarmos respeito por quem está a tentar desempenhar as suas funções da melhor forma possivel.
Essa falta de frontalidade leva a inúmeras perdas de tempo, a gastos escusados, a expectativas goradas, enfim, a um conjunto de situações perfeitamente evitaveis se os intervenientes agissem sempre com a frontalidade devida em cada situação.
Senão vejamos, imaginem-se na pele de um vendedor, de um empregado de restaurante, de um promotor, de um voluntário que se encontra a promover uma campanha de solidariedade... quantas vezes já não disseram ao vendedor que gostaram do produto sem realmente terem gostado, ao empregado de restaurante que a refeição estava boa mesmo que não vos tenha satisfeito, ao promotor que já têm aquele cartão que ele vos quer "impingir" só para não terem que dispensar uns minutos do vosso tempo, ao voluntário que estão com pressa só para terem uma desculpa para o facto de não quererem contribuir.
Será que se dissessemos ao vendedor que não tinham gostado do produto não seria preferivel e não evitaríamos alguns incómodos telefonemas na tentativa deste perceber o porquê de termos gostado mas não termos comprado? Ou por sua vez se tivessemos dito ao empregado do restaurante que a refeição não estava grande coisa na próxima vez o serviço não estaria melhor? Quanto ao promotor não poderiamos dizer educadamente que não pretendemos subscrever aquele cartão? E ao voluntário não seria mais correcto dizer que não pretendemos contribuir para aquela causa em vez de lhe estarmos a dar falsas espectativas acerca da nossa próxima passagem?
Por estas e outras razões é minha convicção que devemos ser frontais, é a melhor atitude para sermos justos e mostrarmos respeito por quem está a tentar desempenhar as suas funções da melhor forma possivel.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Pinga Pinga
Desde o principio da minha vida profissional já tive funções mais aliciantes do que outras, já me envolvi em projectos que tiveram mais sucesso do que outros, já fiz parte de estruturas mais eficientes do que outras. Comparando todas estas experiências realço um ponto em comum: com todas elas aprendi e cresci.
Em todos os locais por onde passei conheci pessoas extraordinárias, com as quais pude aprender e crescer como ser humano, quer na vertente profissional, quer também na pessoal.
Embora todas as vantagens deste percurso nem todos os projectos em que me vi envolvido tiveram sucesso. E isso tem um motivo, a falta do "Pinga Pinga".
Em minha opinião o alcance do "Pinga Pinga" deveria ser o primeiro objectivo de qualquer empreendedor. Só assim se consegue manter uma estrutura sólida e preparada para qualquer sobressalto que possa aparecer. O "Pinga Pinga" é aquela entrada de capital garantida todos os meses, que vai permitir sustentar a estrutura que entretanto foi criada para avançar com um projecto mais aliciante. Por norma, esse projecto apenas prevê retorno passado alguns meses ou mesmo anos e existe um capital inicial para ir suportando o desenvolvimento do mesmo; no entanto, por melhor planeamento que se faça, ao longo desse percurso surgem vários factores que não podemos controlar, os quais juntamente com a falta do "Pinga Pinga" podem deitar tudo a perder.
Em todos os locais por onde passei conheci pessoas extraordinárias, com as quais pude aprender e crescer como ser humano, quer na vertente profissional, quer também na pessoal.
Embora todas as vantagens deste percurso nem todos os projectos em que me vi envolvido tiveram sucesso. E isso tem um motivo, a falta do "Pinga Pinga".
Em minha opinião o alcance do "Pinga Pinga" deveria ser o primeiro objectivo de qualquer empreendedor. Só assim se consegue manter uma estrutura sólida e preparada para qualquer sobressalto que possa aparecer. O "Pinga Pinga" é aquela entrada de capital garantida todos os meses, que vai permitir sustentar a estrutura que entretanto foi criada para avançar com um projecto mais aliciante. Por norma, esse projecto apenas prevê retorno passado alguns meses ou mesmo anos e existe um capital inicial para ir suportando o desenvolvimento do mesmo; no entanto, por melhor planeamento que se faça, ao longo desse percurso surgem vários factores que não podemos controlar, os quais juntamente com a falta do "Pinga Pinga" podem deitar tudo a perder.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
